SHRINER FAZ SUA PRIMEIRA CIRURGIA EM CUIABÁ

18/02/2013

Dentro de pouco tempo a menina Kethellin, de seis anos, irá realizar o maior sonho de sua vida: brincar no trenzinho (um brinquedo do Shopping que exige o uso das mãos). Antes disso poderá exibir a “mão de princesa”, outro sonho que traz consigo desde os dois anos de idade, fruto da promessa do seu pai Antônio Magalhães, que vem prometendo para ela nos últimos anos, a cada consulta realizada na rede pública de Saúde. Kethellin carregava, até o dia 16 de fevereiro de 2013, uma deficiência na mão esquerda, contraída por meio de uma queimadura com ferro de passar roupa quando tinha um ano de idade. Desde então passou a sofrer privações e constrangimentos porque o dedo indicador ficou colado na mão, que permanecia constantemente fechada, dificultando movimentos e chamando a atenção dos coleguinhas da escola pela diferença. “um deles chegou inclusive a tentar colocar o dedo no lugar, provocando intensa dor nela”, revelou sua mãe Dandara Oliveira Rocha Magalhães, cobradora de onibus em Cuiabá. “Agora ela poderá ter uma vida normal e colocar um fim ao sofrimento de toda a família, que carregava junto às limitações que a deficiência dela provocava”, explicou. A cirurgia que está devolvendo a normalidade à vida da menina e da sua família, foi realizada na manhã do dia 16 de fevereiro, no Hospital Santa Helena. Ela inaugura uma nova fase do Shriner, instituição de Mestres Maçons, fundada em 1872 nos Estados Unidos, com sede em Tampa, Estado da Flórida, que há três anos vem se instalando no Brasil com segmentos em Mato Grosso, Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo e Brasília, e tem planos de construir um hospital filantrópico em Mato Grosso para atender toda a América do Sul, o 23º. da rede que se distribui nos Estados Unidos (20 unidades) no Canadá e no México (um em cada país). “Há cinco anos venho lutando para devolver a normalidade à mão da minha filha”, explicou o pai, relatando uma via sacra interminável de idas e vindas para agendamento no SUS. “Fui até o hospital Júlio Müller e sempre tinha a esperança renovada, mais nada. Até que há pouco menos de um mês fiquei sabendo que o médico Marcelo Sandrin era uma pessoa boa e podia ajudar. Recorri a ele e em menos de 20 dias o problema que se arrastou por 5 anos foi solucionado”, relatou. Marcelo Sandrin, um dos sócios fundadores do Shriner em Mato Grosso e diretor do Hospital Santa Helena, havia, inclusive, participado de uma Assembleia Geral da fraternidade no ano passado, que reuniu médicos especialistas das áreas de ortopedia, queimados, fendas palatinas e lábios leporinos e espinha bífida, para ajudar a entidade na escolha da especialidade com que o Hospital Shriner, em Cuiabá, irá atuar na América do Sul e na oportunidade definiram a área de ortopedia. Sandrin levou o caso ao presidente da comissão médica da instituição em Mato Grosso, o médico Antônio Kato (4º Vice - Presidente do Shriner Brasil Central), que, imediatamente, entrou em contato com o médico Denimar Mistal Sanches, um dos especialistas que havia participado da Assembleia Geral do ano passado e após as consultas preliminares, Marcelo Sandrin colocou o Hospital Santa Helena à disposição da cirurgia. Denimar, voluntário no processo, ainda levou consigo um pediatra especialista em mãos, o médico André Lourenço, acostumado com este tipo de atendimento; o cirurgião Luiz Horta, membro da diretoria do Shriner, acompanhou todo o procedimento cirúrgico. O que parecia impossível para os pais de Kethellin começou a tornar-se realidade. Agora, só depende de observar se há uma cicatrização perfeita e se não ocorre nenhum problema no pós-operatório, explicou Denimar, médico formado pela UNIC e que fez sua residência em ortopedia no Hospital Municipal Dr. Mario Gatti, em Campinas, referência na especialidade. Além de carregar uma vasta experiência em cirurgia pediátrica, com estágios na Unicamp e PUC, foi recentemente ao Japão para acompanhar por mais de um mês as rotinas de um hospital que desenvolve uma técnica nova de procedimentos cirúrgicos. Agora, a enfermeira Anna Atala fará os curativos na residência da paciente e após o processo de cicatrização, a fisioterapeuta Aisi Anne Nogueira se encarregará do tratamento de reabilitação. Autoestima A menina Kethellin, logo após a cirurgia, falava de duas coisas que sua expectativa gerou nos últimos anos: “vou ter uma mão de princesa” e “agora posso brincar no trenzinho”. O trenzinho é um brinquedo que consiste numa rampa inclinada em que a criança tem de subir com uma das mãos apoiada no chão e a outra agarrada a uma corda para chegar num escorregador e descer para uma piscina de bolinhas coloridas. Kethellin via a irmã brincar daquilo e só tentou uma vez e a muito custo conseguiu subir a rampa por não conseguir agarrar a corda com a mão, depois ficou “proibida” de brincar. A mão de princesa era a promessa recorrente do pai que quase perdeu a esperança “a cada ano que entrava eu falava a ela que este ano ela ia ganhar mão de princesa”, relatou Antônio Magalhães, o seu pai, que recebeu até promessa de candidato e esteve “prestes a perder a confiança nas instituições. Mas agora vi que quando se quer se faz. E essa boa vontade eu encontrei nos homens do Shriner”, relatou. A instituição Desde 2009 um grupo de Mestres Maçons vem criando em Mato Grosso uma secção do Shriner Internacional, uma fraternidade espalhada pelo planeta com cerca de 480.000 membros e que tem como missão o atendimento oficial e gratuito na área de saúde às crianças com até 18 anos de idade. É uma entidade reconhecida pala ONU e pelos principais países como a organização do gênero de “Maior Filantropia do Mundo”. Em Cuiabá organizam a construção do 23º. Hospital da rede, com data marcada para o lançamento da pedra fundamental ainda neste ano, num terreno de 80 mil metros quadrados na área do CPA, doada pelo governo do Estado de Mato Grosso. A principal característica da instituição é o apoio voluntário no encaminhamento de crianças e acompanhamentos para um dos hospitais da rede. Para a realização da cirurgia de Kethellin a diretoria da instituição acompanhou os procedimentos com o presidente da Instituição, Genilto Nogueira, e os vice-presidentes Antonio Kato, responsável pela área médica e construção do hospital e Valdir Serafim, vice-presidente responsável para área de Comunicação. Marcelo Sandrin, diretor do Hospital Santa Helena, também membro do Shriner, disponibilizou a infraestrutura hospitalar para a ação de solidariedade. (Reportagem de Ailton Segura)
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Emitido em 04/12/2022 14:49